Passeio de um dia de verão | 11Dez2008 12:40:00

Publicado por: Jaber

Por estes dias havemos de ir a Viana, atravessaremos a ponte velha em ferro que nos recorta o horizonte em xadrês misto de verdes e azuis. Tomaremos a estrada da Sta Luzia decorada de mimosas nas bermas, o cheiro de pinho no ar, sombras que afugentam o estio, verde como os teus olhos. Lá mesmo no cimo, por trás de ti, enlaçado na tua cintura, a tua nuca recostada no meu peito aponto-te a cidade que se espreguiça montanha abaixo com a Foz do Lima a render-lhe homenagens em cujos esteiros homens de pele curtida pelo sol fazem a apanha da ameijoa e do lagostim que nos dará paladar á caldeirada. Apontar-te-ei a Serra de Ãncora em prantos de verde e cinzento que contrastam com as faces trigueiras das moças que a habitam. Contar-te-ei a lenda da Moura que perdida de amores se embrenhou nesse verde e diz o povo que o seu choro se reproduz nas milhentas fontes e açudes que alimentam o rio Ãncora de águas cristalinas e cantantes, dizem as velhinhas de negro vestidas que em cada lamento de fonte há lágrimas de amor, tanto chorou a Moura por esses montes e valados.

 




Tomaremos a estrada de serra em direcção á raia, ladeada de carvalhos seculares, testemunhas de contrabandistas, em cuja sombra os amantes peregrinos mitigavam os ardores em paroxismo de prazer rápido e incontido, a caminho de Santiago. Atravessando a raia pela Portela do Homem vamos á taberna do Manolo que o pai dele, também Manolo, esculpiu rocha adentro. Servir-nos-á pinchos com cidra que saborearemos olhos nos olhos...


Á vinda visitaremos o veado altaneiro que vigia Cerveira, alongaremos a vista pelo mar até ao horizonte, lá onde o sol se põe enfim para repusarmos a vista nos nossos corpos...


E há medida que a noite cair, e o luar acariciar os nossos corpos far-te-ei promessas de amor eterno...


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